Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Endings.

 

 

Excerto de «New Moon», p.71

 

"Fiquei surpreendida com a calma e moderação que se apoderaram da minha voz. Devia ser por estar tão abatida. Não conseguia entender o que Edward me dizia. Continuava a não fazer qualquer sentido.

- É claro que sempre te amarei... de certo modo. Mas o que aconteceu na outra noite fez-me perceber que está na hora de haver uma mudança. Porque estou... farto de fingir ser algo que não sou, Bella. Deixei que se arrastasse muito tempo e peço desculpa por isso. Tu não serves para mim, Bella. Gostaria, porém, de te pedir um favor, se não for demasiado... - disse ele.

Enquanto os observava, os seus olhos gelados derreteram-se, penetrando os meus de um modo ardente e com uma intensidade arrasadora.

- Cuida de ti. E em troca, faço-te uma promessa. Prometo que será a última vez que me vês. Não voltarei. Não tornarei a submeter-te a nada que se pareça com isto. Podes continuar a tua vida sem mais nenhuma interferência da minha parte. Será como se eu nunca tivesse existido. Não te preocupes, o tempo cura todas as feridas. Adeus, Bella.

- Espera! - consegui pronunciar.

Pensei que Edward também me tentava alcançar. Mas as suas mãos frias agarraram-me os pulsos e prenderam-mos junto ao corpo, de lado. Inclinou-se e, por um brevíssimo instante, encostou levemente os lábios à minha testa. Os meus olhos fecharam-se. - Cuida-te. - suspirou, num sopro frio ao tocar a minha pele.

Esperava desmaiar, mas, para minha desilusão, não perdi os sentidos. As ondas de dor que, anteriormente, me haviam apenas tocado ao de leve elevavam-se agora bem alto, precipitando-se sobre a minha cabeça, e empurrando-me para o fundo. Não voltei à tona.

 

Outubro.

 

Novembro.

 

Dezembro.

 

Janeiro.

 

Despertar - O tempo passa. Mesmo quando tal parece impossível. Passa de forma irregular, em estranhos avanços e pausas que se arrastam. Mas, lá passar, passa. Até para mim."

 


publicado por Strelitzia5 às 21:54
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Domingo, 31 de Agosto de 2008

Quotes

 

Love.

 

To fear love is to fear life, and those who fear life are already three parts dead. (Bertrand Russel)

 

Ones's first love is always perfect until one meets one's second love.

 

All love that has not friendship for its base, is like a mansion built upon sand.

 

True love brings up everything - you're allowing a mirror to be held up to you daily.

 

 

Laugh.

 

He deserves Paradise who makes his companions laugh.

 

Laughter is by definition healthy.

 

The most waisted of all days is one without laughter.

 

Always laugh when you can. It is cheap medicine.

 

You don't stop laughing because you grow old. You grow old because you stop laughing.

 

 

Poetry.

 

There exist only three beings worthy of respect: the priest, the soldier, the poet. - To know, to kill, to create.

 

A poem is never finished, only abandoned.

 

Words, once they are printed, have a life of their own.

 

Better to write for yourself and have no public, than to write for the public and have no self.

 

The pen is mightier than the sword.

 

The skill of writing is to create a context in which other people can think.

 

 

 


publicado por Strelitzia5 às 18:56
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Domingo, 24 de Agosto de 2008

O Perfume

 

«Até essa altura, a vida nada lhe ensinara sobre a felicidade. Conhecia no máximo raríssimos estados de um morno contentamento. Naquele momento, porém, tremia de felicidade e essa sensação era tão intensa, que o impedia de adormecer. Assemelhava-se a nascer uma segunda vez (...) »

 

 

Patrick Suskind, in Das Parfum

sinto-me:
música: Rock Your Soul - Elisa

publicado por Strelitzia5 às 01:30
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Pedro Paixão 2

Eu não sei, nem soube nunca ser sem mácula. A inocência não esteve muito tempo comigo. Tudo era véspera de tudo (...)

 

Nunca tive a coragem de crescer abandonando quem fui. Fui acumulando quem sou.

 

Só uma esperança nos permite renascer.

 

Ter a coragem. Ir buscar forças onde não as tenho. Impedir que o terror das horas futuras me paralise. Adivinhar sentido onde menos se encontra. Substituir o medo pelo que quer que seja.

Escrever só para mim. Esquecer os outros. Deitar fora a exaltação estética.

Um único pode valer mais do que uma multidão.

 

A ansiedade é uma corda à volta da garganta. Impede-me os movimentos, prende-me os pensamentos, entrega-me ao abandono. O dia fere. Só a noite, com a sua misericórdia, me traz algum alívio.

 

A poesia está a dar cabo de mim.

 

Os dias avançam para além de qualquer vontade.

 

As coisas não correm como eu queria. Não acontece o que eu esperava. É-me difícil ter mão no que vou sendo. Cresço e vivo e morro a todo o instante. Mas hoje não me revolto. Quando era novo, lembro-me, era uma constante luta com sucessivos desesperos. Hoje o tempo passa por mim com uma tranquilidade constante. Vencido, libertei-me.

 

Demasiada luz cega (...) Do mesmo modo a escuridão completa destrói o contorno simples das coisas.

 

E no entanto existe a vontade. E no entanto existe a esperança.

 

Por isso somos eternos, todos nós, os já mortos e os vivos e os que aí vêm, informes. Não conseguimos resolver o mistério.

 

Por isso qualquer um acredita, tem de acreditar para se levantar da cama onde se encontrou desmaiado, esvaído, inconsciente.

 

Só a vida é.

 

Agora já sei por que vim. Não foi para escrever o meu livro. Vim para ler o teu livro. E então Raquel diz algo inteiramente inesperado.

 

Escrevo para me ausentar de mim. (...) A satisfação em escrever como antídoto para o tormento de procurar escrever de verdade.

 

Não só escrevia o que me acontecia, como me acontecia o que escrevia.

 

Quanto mais se escreve mais vai em volta crescendo a solidão.

 

Começamos sempre sem querer e depois falta-nos a coragem para acabar. Com o escrever, quero dizer. Porque uma palavra pede outra palavra, uma frase outra frase, um mal-entendido um mal-entendido ainda maior. (...) Começamos e depois já não sabemos parar ou não podemos ou não queremos, tanto faz.

 

Escreve, escreve, habitua-te a sair deste mundo, vicia-te nisso, em não estares por aqui (...)

 

A morrer, a morrer de cansaço, exaustos, a morrer de viver.

 

Tínhamos de inventar tudo, imaginar tudo, para escrevermos juntos uma história de amor.

 

Fica decidido que não volto a escrever, que se acabam as histórias de amor, que se acabou de vez por todas com o amor.

Chega de histórias e mais histórias que nunca acabam e não levam a lugar algum, antes pelo contrário fazem-nos sentir cada vez mais perdidos, mais confusos. Que se lixe a literatura e sobretudo a poesia.

 

Há aqui uma contradição irresolúvel. Mas com essas posso eu bem. Com o que eu não posso é com mais histórias que cansam a cabeça e fazem mal ao coração.

 

Escrever faz é aumentar a solidão em que se está. Não faz mais nada senão acumular solidão sobre solidão.

 

No meu fim está o meu começo. Para começar tive de acabar comigo.

 

Não me esquecerei facilmente da primeira vez que a vi. Era ela a entrar na minha vida.

 

Beijámo-nos até perder as forças. Beijámo-nos até desmaiarmos.

 

Ficávamos dias e noites fechados no apartamento dela a jogar xadrez, a ler alto um ao outro passagens de livros, a fazer demoradamente de comer. Entretínhamo-nos um com o outro e fazíamos o amor até nos transformarmos em água.

 

Eu desejava era que aquela situação continuasse só mais um dia, sempre mais um dia, se bem que no fundo, que de mim próprio tentava varrer, soubesse já que era uma situação insustentável.

 

Naquela ilha grega éramos quase um casal como outros. Havia a nossa diferença de idades e a beleza dela que prendiam o olhar a alguns.

 

Corridas as cortinas, deitávamo-nos sobre as camas e ficávamos a olhar-nos frente a frente até o primeiro de nós adormecer brevemente. Acordávamos ao mesmo tempo (...)

 

Estávamos numa ilha sobre a água. Vivíamos uma vida sem rumo.

 

Sentávamo-nos silenciosos de mãos dadas a prescrutar o horizonte.

 

Contávamo-nos uma qualquer peripécia dos injustos dias em que ainda não nos conhecíamos. Era bom vê-la sorrir; era o próprio mundo que sorria.

 

E depois recolhíamo-nos ao quarto para nos entregarmos, escravos dos exigentes jogos do amor.

 

Vivíamos dias perfeitos.

 

Prometemo-nos que voltaríamos ali em pensamento cada vez que as nossas almas se sentissem atribuladas, que aquele seria o nosso secreto lugar de encontro cada vez que nos sentíssemos perdidos.

 

Amei Atenas. Naquele canto da cidade parecíamos protegidos pelos deuses.

 

Tudo aquilo me confundia numa dor indistinguível do prazer.

 

Disse-lhe da minha intenção de mudar de vida. Nada lhe prometi, embora várias coisas pudessem ficar subentendidas.

 

O destino é sempre cruel, escapando por completo à nossa vontade.

 

Naquela noite fizémos o que mais gostávamos, perdermo-nos nos olhos um do outro.

 

Ainda acontece apaixonar-me, mas nunca nada resulta, tudo fica aquém de qualquer coisa e desisto mesmo antes de começar.

 

 

em Quase Gosto da Vida Que Tenho (acabadinho de ler)


publicado por Strelitzia5 às 13:35
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Excertos de Pedro Paixão

 

...antes de poderem dizer o que quer que fosse, se para tal encontrassem palavras. Transportam consigo o segredo da poesia.

 

O homem e a rapariga continuam sentados face a face, amando-se loucamente, sem se tocarem. Acreditam no amor, na frágil flor azul. Mesmo antes de se terem encontrado, alma diante de alma, nas redes electrónicas em que o amor atinge a estonteante velocidade da luz.

 

A poesia tornou-se insuportável. A poesia só sobrevive na loucura de duas pessoas que decidem amar-se, condenando-se à exaustão.

 

O soldado e a rapariga permanecem sentados na cama baixa olhando-se sem se tocarem. Se se tocassem o amor morreria no mesmo instante

 

Ela é uma rapariga decidida a levar até ao fim a poesia

 

Ali, fardada de igual a todas as outras, nem havia olhos que pudessem adivinhar a sua beleza. A beleza não me interessa... A beleza tende a tornar-se numa perigosa armadilha e a ilusão paga-se com desespero.

 

Para uma imagem, mesmo pouco nítida, é preciso mais: saber mais, imaginar mais, acreditar mais

 

Precipitadamente acontecem coisas que a todo momento nos alteram, modificando o mundo, matando o eu anterior para que possa ressuscitar o mesmo eu posterior, só que ligeiramente diferentes, ou então muito diferente. Como me reconhecer a mim mesmo?

 

Saudades de mim. De quem nunca fui.

 

A música não chega para salvar uma alma inquieta.

 

Pensava como a vida não era como devia, como as coisas não aconteciam como previsto, como o mundo persistia em feri-la.

Os olhos fechados, assim como o corpo fechado, eram a maneira que tinha de se proteger da violência das coisas, de reencontrar dentro de si a beleza da frágil flor azul.

 

Sentia-se apaixonado como pela primeira vez. Diante da face dela o mundo inteiro parecia-lhe supérfluo. Não conseguia deixar de a olhar, e quando não estava na sua presença de a imaginar na sua presença.

 

As palavras que trocavam eram tão físicas como todo o amor que se fizesse.

 

A mão dela cabia dentro da mão dele, como uma concha dentro de outra.

 

«Já reparaste no tempo que uma árvore leva a crescer? É um tempo muito lento, vagaroso. O nosso amor devia ser da mesma maneira.», disse ela, aproximado o seu corpo do dele. Ele manteve-se calado enquanto a imagem da árvore lhe trazia, por contraste, a ideia da fragilidade de tudo, e apertou com mais força a mão dela. Uma nuvem tapou o sol. O jardim parecia vazio e as duas almas juntaram-se numa só.

 

Nem a morte me quis, quanto mais o amor.

 

Pegava numa folha branca e começava a escrever. Era um mistério. Na folha apareciam frases que ele não sabia de onde vinham, cujo sentido reconhecia com espanto. Quando acabava estendia-se sobre a cama onde se abandonava a uma alheia satisfação. Esse estado confundia-se com sonhos e acabava por adormecer.

 

Quando só há duas pessoas no mundo ainda não existe o amor. O amor é demasiado exigente. O amor faz com que pareça que só existem duas pessoas no mundo, tu e eu e mais ninguém, o que é muito diferente.

 

Queria ficar toda a noite contigo para te contar a minha vida inteira.

 

...embora todos os homens, todos, te quisessem beijar.

 

Vais encontrar o teu terceiro homem e esquecer para sempre os dois únicos que te beijaram.

 

em Quase Gosto da Vida que Tenho

música: Várias de John Pizzarelli

publicado por Strelitzia5 às 16:01
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