Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

mãe: "o pior cego é aquele que não QUER ver"

 

New Moon, p. 200

 

" - Gostas de mim, não gostas?

  - Sabes bem que sim.

  - Mais do que aquele tipo que está a vomitar as tripas ali dentro? - e apontou na direcção da casa-de-banho.

  - Sim - suspirei.

  - Mais do que qualquer um dos rapazes que conheces?

  - E do que das raparigas também - salientei.

  - Mas é só isso. - respondeu, não se tratando de uma pergunta.

Foi difícil responder. Será que ficaria magoado e evitar-me-ia? Como suportaria isso?

  - Sim. - sussurrei.

Ele sorriu-me.

  - Não faz mal. Desde que gostes mais de mim. E que penses que sou bem-parecido.. mais ou menos. Sinto-me preparado para ser irritantemente persistente.

  - Não vou mudar - afirmei e, tentando manter um tom normal, apercebi-me da tristeza interior.

  - Ainda é por causa do outro não é?

Retraí-me. Era curioso que ele soubesse que não deveria pronunciar o nome.. tal como tinha acontecido, no carro, em relação à música. Jacob captava muitas coisas a meu respeito, às quais nunca fizera qualquer referência.

  - Não precisas falar sobre isso. Mas não te zangues comigo por ficar perto de ti, está bem? Porque não vou desistir. Tenho tempo de sobra...

  - Não devias desperdiçá-lo comigo. - recomendei, apesar de querer que ele o fizesse. Principalmente se estivesse disposto a aceitar-me como eu era: uma espécie de mercadoria danificada.

  - É o que pretendo fazer, enquanto continuares a gostar de estar comigo.

  - Não consigo imaginar como poderia não gostar de estar contigo. - disse sinceramente.

Jacob sorriu.

  - Consigo aceitar isso.

  - Mas não esperes mais. - preveni-o, afastando a minha mão.

 

(...)

Olhava em frente consumida de culpa.

Não era certo incentivar Jacob. Tratava-se de puro egoísmo. Não iimportava que tivesse tentado esclarecer a minha posição. Se ele mantivesse uma réstia de esperança que a nossa relação se transformasse em algo mais do que amizade, era somente porque não tinha sido clara.

Como lhe poderia explicar de forma que entendesse?

No entanto, estava consciente que, apesar disso, não iria afastá-lo. Precisava muito dele e era egoísta. Talvez pudesse tornar a minha posição mais clara, de modo a que ele tivesse consciência de que devia deixar-me.

Deus sabia que nunca quisera usá-lo. Não conseguia evitar aquele sentimento de culpa.

Mais do que isso: nunca tivera intenção de o amar.

Eu acabara destroçada de uma forma irreparável.

No entanto, agora precisava de Jacob como de uma droga. Usara-o como muleta durante muito tempo e tinha aprofundado mais a nossa relação do que na realidade tencionara. Não suportava a ideia de ele sair magoado; no entanto, não conseguia evitar magoá-lo. Jacob pensava que o tempo e a paciência me fariam mudar, e embora soubesse que ele estava completamente enganado, estava certa de que o deixaria tentar.

Era o meu melhor amigo. Amá-lo-ia para sempre e isso nunca, jamais, seria o suficiente.

 

(...)

 

- Não. É outra coisa.

- O que se passa?

- Tudo. - murmurou. - Dói-me o corpo.

A dor expressa na voz era quase palpável.

- O que posso fazer, Jake? O que posso levar-te?

- Nada. Não podes vir aqui. - E foi brusco.

- Já estive exposta ao que tu tens, seja lá o que for. - salientei.

Ele ignorou-me.

- Jacob...

- Tenho de desligar.

- Telefona-me quando te sentires melhor.

- Está bem. - A sua voz tinha um estranho travo de amargura."

(E mais não preciso dizer...)


publicado por Strelitzia5 às 12:57
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Endings.

 

 

Excerto de «New Moon», p.71

 

"Fiquei surpreendida com a calma e moderação que se apoderaram da minha voz. Devia ser por estar tão abatida. Não conseguia entender o que Edward me dizia. Continuava a não fazer qualquer sentido.

- É claro que sempre te amarei... de certo modo. Mas o que aconteceu na outra noite fez-me perceber que está na hora de haver uma mudança. Porque estou... farto de fingir ser algo que não sou, Bella. Deixei que se arrastasse muito tempo e peço desculpa por isso. Tu não serves para mim, Bella. Gostaria, porém, de te pedir um favor, se não for demasiado... - disse ele.

Enquanto os observava, os seus olhos gelados derreteram-se, penetrando os meus de um modo ardente e com uma intensidade arrasadora.

- Cuida de ti. E em troca, faço-te uma promessa. Prometo que será a última vez que me vês. Não voltarei. Não tornarei a submeter-te a nada que se pareça com isto. Podes continuar a tua vida sem mais nenhuma interferência da minha parte. Será como se eu nunca tivesse existido. Não te preocupes, o tempo cura todas as feridas. Adeus, Bella.

- Espera! - consegui pronunciar.

Pensei que Edward também me tentava alcançar. Mas as suas mãos frias agarraram-me os pulsos e prenderam-mos junto ao corpo, de lado. Inclinou-se e, por um brevíssimo instante, encostou levemente os lábios à minha testa. Os meus olhos fecharam-se. - Cuida-te. - suspirou, num sopro frio ao tocar a minha pele.

Esperava desmaiar, mas, para minha desilusão, não perdi os sentidos. As ondas de dor que, anteriormente, me haviam apenas tocado ao de leve elevavam-se agora bem alto, precipitando-se sobre a minha cabeça, e empurrando-me para o fundo. Não voltei à tona.

 

Outubro.

 

Novembro.

 

Dezembro.

 

Janeiro.

 

Despertar - O tempo passa. Mesmo quando tal parece impossível. Passa de forma irregular, em estranhos avanços e pausas que se arrastam. Mas, lá passar, passa. Até para mim."

 


publicado por Strelitzia5 às 21:54
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Excerto de "New Moon" que fez rir hoje no comboio

 

 

 

 

 

«-É novo de mais para mim. Jacob franziu o sobrolho mais acentuadamente. -Não é muito mais novo do que tu; apenas um ano e alguns meses. Tive a sensação de que já não estávamos a falar de Quill. Entretanto, mantive um tom de voz alegre e trocista. -Tendo em conta a diferença de maturidade entre os rapazes e as raparigas, não temos de calcular isso em anos de cão? Assim, ficava com o quê? Doze anos a mais? Ele riu-se, revirando os olhos. -Está bem! Se queres ser assim tão picuinhas, tens também de estabelecer uma média em termos de tamanho. Logo, és tão pequena que vou ter de subtrair dez anos ao teu total. - Um metro e sessenta e dois é uma altura mediana. - Funguei. - Não tenho culpa que sejas anormalmente grande.» - p.141

sinto-me: exausta do estudo académico...
música: ("epah ganda som, tenho mesmo bom gosto!")- by Sara Boi,hoje

publicado por Strelitzia5 às 19:25
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Crepúsculo (Twilight) - uma saga que promete...

O livro.

 

 

 

O filme.

 

 

 

«The forbidden fruit tastes the sweetest» 

sinto-me: aluada...
música: Debussy =P

publicado por Strelitzia5 às 19:41
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Domingo, 24 de Agosto de 2008

O Perfume

 

«Até essa altura, a vida nada lhe ensinara sobre a felicidade. Conhecia no máximo raríssimos estados de um morno contentamento. Naquele momento, porém, tremia de felicidade e essa sensação era tão intensa, que o impedia de adormecer. Assemelhava-se a nascer uma segunda vez (...) »

 

 

Patrick Suskind, in Das Parfum

sinto-me:
música: Rock Your Soul - Elisa

publicado por Strelitzia5 às 01:30
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Pedro Paixão 2

Eu não sei, nem soube nunca ser sem mácula. A inocência não esteve muito tempo comigo. Tudo era véspera de tudo (...)

 

Nunca tive a coragem de crescer abandonando quem fui. Fui acumulando quem sou.

 

Só uma esperança nos permite renascer.

 

Ter a coragem. Ir buscar forças onde não as tenho. Impedir que o terror das horas futuras me paralise. Adivinhar sentido onde menos se encontra. Substituir o medo pelo que quer que seja.

Escrever só para mim. Esquecer os outros. Deitar fora a exaltação estética.

Um único pode valer mais do que uma multidão.

 

A ansiedade é uma corda à volta da garganta. Impede-me os movimentos, prende-me os pensamentos, entrega-me ao abandono. O dia fere. Só a noite, com a sua misericórdia, me traz algum alívio.

 

A poesia está a dar cabo de mim.

 

Os dias avançam para além de qualquer vontade.

 

As coisas não correm como eu queria. Não acontece o que eu esperava. É-me difícil ter mão no que vou sendo. Cresço e vivo e morro a todo o instante. Mas hoje não me revolto. Quando era novo, lembro-me, era uma constante luta com sucessivos desesperos. Hoje o tempo passa por mim com uma tranquilidade constante. Vencido, libertei-me.

 

Demasiada luz cega (...) Do mesmo modo a escuridão completa destrói o contorno simples das coisas.

 

E no entanto existe a vontade. E no entanto existe a esperança.

 

Por isso somos eternos, todos nós, os já mortos e os vivos e os que aí vêm, informes. Não conseguimos resolver o mistério.

 

Por isso qualquer um acredita, tem de acreditar para se levantar da cama onde se encontrou desmaiado, esvaído, inconsciente.

 

Só a vida é.

 

Agora já sei por que vim. Não foi para escrever o meu livro. Vim para ler o teu livro. E então Raquel diz algo inteiramente inesperado.

 

Escrevo para me ausentar de mim. (...) A satisfação em escrever como antídoto para o tormento de procurar escrever de verdade.

 

Não só escrevia o que me acontecia, como me acontecia o que escrevia.

 

Quanto mais se escreve mais vai em volta crescendo a solidão.

 

Começamos sempre sem querer e depois falta-nos a coragem para acabar. Com o escrever, quero dizer. Porque uma palavra pede outra palavra, uma frase outra frase, um mal-entendido um mal-entendido ainda maior. (...) Começamos e depois já não sabemos parar ou não podemos ou não queremos, tanto faz.

 

Escreve, escreve, habitua-te a sair deste mundo, vicia-te nisso, em não estares por aqui (...)

 

A morrer, a morrer de cansaço, exaustos, a morrer de viver.

 

Tínhamos de inventar tudo, imaginar tudo, para escrevermos juntos uma história de amor.

 

Fica decidido que não volto a escrever, que se acabam as histórias de amor, que se acabou de vez por todas com o amor.

Chega de histórias e mais histórias que nunca acabam e não levam a lugar algum, antes pelo contrário fazem-nos sentir cada vez mais perdidos, mais confusos. Que se lixe a literatura e sobretudo a poesia.

 

Há aqui uma contradição irresolúvel. Mas com essas posso eu bem. Com o que eu não posso é com mais histórias que cansam a cabeça e fazem mal ao coração.

 

Escrever faz é aumentar a solidão em que se está. Não faz mais nada senão acumular solidão sobre solidão.

 

No meu fim está o meu começo. Para começar tive de acabar comigo.

 

Não me esquecerei facilmente da primeira vez que a vi. Era ela a entrar na minha vida.

 

Beijámo-nos até perder as forças. Beijámo-nos até desmaiarmos.

 

Ficávamos dias e noites fechados no apartamento dela a jogar xadrez, a ler alto um ao outro passagens de livros, a fazer demoradamente de comer. Entretínhamo-nos um com o outro e fazíamos o amor até nos transformarmos em água.

 

Eu desejava era que aquela situação continuasse só mais um dia, sempre mais um dia, se bem que no fundo, que de mim próprio tentava varrer, soubesse já que era uma situação insustentável.

 

Naquela ilha grega éramos quase um casal como outros. Havia a nossa diferença de idades e a beleza dela que prendiam o olhar a alguns.

 

Corridas as cortinas, deitávamo-nos sobre as camas e ficávamos a olhar-nos frente a frente até o primeiro de nós adormecer brevemente. Acordávamos ao mesmo tempo (...)

 

Estávamos numa ilha sobre a água. Vivíamos uma vida sem rumo.

 

Sentávamo-nos silenciosos de mãos dadas a prescrutar o horizonte.

 

Contávamo-nos uma qualquer peripécia dos injustos dias em que ainda não nos conhecíamos. Era bom vê-la sorrir; era o próprio mundo que sorria.

 

E depois recolhíamo-nos ao quarto para nos entregarmos, escravos dos exigentes jogos do amor.

 

Vivíamos dias perfeitos.

 

Prometemo-nos que voltaríamos ali em pensamento cada vez que as nossas almas se sentissem atribuladas, que aquele seria o nosso secreto lugar de encontro cada vez que nos sentíssemos perdidos.

 

Amei Atenas. Naquele canto da cidade parecíamos protegidos pelos deuses.

 

Tudo aquilo me confundia numa dor indistinguível do prazer.

 

Disse-lhe da minha intenção de mudar de vida. Nada lhe prometi, embora várias coisas pudessem ficar subentendidas.

 

O destino é sempre cruel, escapando por completo à nossa vontade.

 

Naquela noite fizémos o que mais gostávamos, perdermo-nos nos olhos um do outro.

 

Ainda acontece apaixonar-me, mas nunca nada resulta, tudo fica aquém de qualquer coisa e desisto mesmo antes de começar.

 

 

em Quase Gosto da Vida Que Tenho (acabadinho de ler)


publicado por Strelitzia5 às 13:35
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Excertos de Pedro Paixão

 

...antes de poderem dizer o que quer que fosse, se para tal encontrassem palavras. Transportam consigo o segredo da poesia.

 

O homem e a rapariga continuam sentados face a face, amando-se loucamente, sem se tocarem. Acreditam no amor, na frágil flor azul. Mesmo antes de se terem encontrado, alma diante de alma, nas redes electrónicas em que o amor atinge a estonteante velocidade da luz.

 

A poesia tornou-se insuportável. A poesia só sobrevive na loucura de duas pessoas que decidem amar-se, condenando-se à exaustão.

 

O soldado e a rapariga permanecem sentados na cama baixa olhando-se sem se tocarem. Se se tocassem o amor morreria no mesmo instante

 

Ela é uma rapariga decidida a levar até ao fim a poesia

 

Ali, fardada de igual a todas as outras, nem havia olhos que pudessem adivinhar a sua beleza. A beleza não me interessa... A beleza tende a tornar-se numa perigosa armadilha e a ilusão paga-se com desespero.

 

Para uma imagem, mesmo pouco nítida, é preciso mais: saber mais, imaginar mais, acreditar mais

 

Precipitadamente acontecem coisas que a todo momento nos alteram, modificando o mundo, matando o eu anterior para que possa ressuscitar o mesmo eu posterior, só que ligeiramente diferentes, ou então muito diferente. Como me reconhecer a mim mesmo?

 

Saudades de mim. De quem nunca fui.

 

A música não chega para salvar uma alma inquieta.

 

Pensava como a vida não era como devia, como as coisas não aconteciam como previsto, como o mundo persistia em feri-la.

Os olhos fechados, assim como o corpo fechado, eram a maneira que tinha de se proteger da violência das coisas, de reencontrar dentro de si a beleza da frágil flor azul.

 

Sentia-se apaixonado como pela primeira vez. Diante da face dela o mundo inteiro parecia-lhe supérfluo. Não conseguia deixar de a olhar, e quando não estava na sua presença de a imaginar na sua presença.

 

As palavras que trocavam eram tão físicas como todo o amor que se fizesse.

 

A mão dela cabia dentro da mão dele, como uma concha dentro de outra.

 

«Já reparaste no tempo que uma árvore leva a crescer? É um tempo muito lento, vagaroso. O nosso amor devia ser da mesma maneira.», disse ela, aproximado o seu corpo do dele. Ele manteve-se calado enquanto a imagem da árvore lhe trazia, por contraste, a ideia da fragilidade de tudo, e apertou com mais força a mão dela. Uma nuvem tapou o sol. O jardim parecia vazio e as duas almas juntaram-se numa só.

 

Nem a morte me quis, quanto mais o amor.

 

Pegava numa folha branca e começava a escrever. Era um mistério. Na folha apareciam frases que ele não sabia de onde vinham, cujo sentido reconhecia com espanto. Quando acabava estendia-se sobre a cama onde se abandonava a uma alheia satisfação. Esse estado confundia-se com sonhos e acabava por adormecer.

 

Quando só há duas pessoas no mundo ainda não existe o amor. O amor é demasiado exigente. O amor faz com que pareça que só existem duas pessoas no mundo, tu e eu e mais ninguém, o que é muito diferente.

 

Queria ficar toda a noite contigo para te contar a minha vida inteira.

 

...embora todos os homens, todos, te quisessem beijar.

 

Vais encontrar o teu terceiro homem e esquecer para sempre os dois únicos que te beijaram.

 

em Quase Gosto da Vida que Tenho

música: Várias de John Pizzarelli

publicado por Strelitzia5 às 16:01
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Página 11 de «Onze Minutos», de Paulo Coelho

 

 

Porque eu sou a primeira e a última

Eu sou a venerada e a desprezada

Eu sou a prostituta e a santa

Eu sou a esposa e a virgem

Eu sou a mãe e a filha

Eu sou os braços da minha mãe

Eu sou a estéril, e os meus filhos são numerosos

Eu sou a bem casada e a solteira

Eu sou a que dá à luz e a que jamais procriou

Eu sou a consolação das dores do parto

Eu sou a esposa e o esposo,

      e foi o meu homem quem me criou

Eu sou a mãe do meu pai

Sou a irmã do meu marido,

       e ele é o meu filho rejeitado

Respeitem-me sempre

Porque eu sou a escandalosa e a magnífica

 

Hino a Ísis, sec. III ou IV (?), descoberto em Nag Hammadi

sinto-me: a espirrar
música: está tudo em silêncio

publicado por Strelitzia5 às 01:31
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Pedro Paixão

 

excerto de um livro oferecido por Danny Boy =)

 

Quase Gosto da Vida que Tenho

 

«Não sei para o que vim. Sei porque tive de vir: para escapar ao que me sufocava. Como se não houvesse outro lugar, outra cidade. Como um estilhaço de ferro é atraído por um íman. Agora devo esperar que algo aconteça, sem ter a mínima certeza de que vai acontecer, com a angústia acrescida de que algo aconteça sem que eu dê por isso, de falhar o inesperado. É preciso, creio, distinguir o que se sabe do que não se sabe; e o que não se sabe do que nem sequer se sabe que não se sabe. O que não sei que não sei é o decisivo. Talvez seja por isso que vim até aqui, que tive de regressar a esta cidade no meio de um deserto. O deserto que alastra, não cessa de alastrar, por todo o mundo. Tenho de aprender de novo a esperar. A estar atento. Repito: facilmente me pode escapar aquilo por que vim, se nem um nome lhe sei dar.»

sinto-me: literacist

publicado por Strelitzia5 às 02:29
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Domingo, 22 de Junho de 2008

Sensibilidade e Bom Senso

 

 

MRS DASHWOOD


                         Is Mrs Ferrars at the new parish?

               EDWARD looks extremely confused.

                                     EDWARD
                         No--my mother is in town.

                                     MRS DASHWOOD


                         I meant to enquire after Mrs Edward
                         Ferrars.

               EDWARD colours. He hesitates.

                                     EDWARD
                         Then you have not heard--the news--I
                         think you mean my brother--you mean
                         Mrs Robert Ferrars.

               They all stare at him in shock.

                                     MRS DASHWOOD
                         Mrs Robert Ferrars?

               ELINOR has frozen. EDWARD rises and goes to the window.

                                     EDWARD
                         Yes. I received a letter from Miss
                         Steele--or Mrs Ferrars, I should say--
                         communicating the... the transfer of
                         her affections to my brother Robert.
                         They were much thrown together in
                         London, I believe, and... and in
                         view of the change in my
                         circumstances, I felt it only fair
                         that Miss Steele be released from
                         our engagement. At any rate, they
                         were married last week and are now
                         in Plymouth.

               ELINOR rises suddenly, EDWARD turns and they stand looking
               at one another.

                                     ELINOR
                         Then you--are not married.

                                     EDWARD
                         No.

               ELINOR bursts into tears. The shock of this emotional
               explosion stuns everyone for a second and then MARIANNE makes
               an executive decision. Wordlessly, she takes MARGARET's hand
               and leads her and MRS DASHWOOD out of the room.

 

EDWARD
                         Elinor! I met Lucy when I was very
                         young. Had I had an active profession,
                         I should never have felt such an
                         idle, foolish inclination. At Norland
                         my behaviour was very wrong. But I
                         convinced myself you felt only
                         friendship for me and it was my heart
                         alone that I was risking. I have
                         come with no expectations. Only to
                         profess, now that I am at liberty to
                         do so, that my heart is and always
                         will be yours.
 

 

EDWARD stops walking. He looks at ELINOR and realises he can
               stand it no longer.

                                     EDWARD
                         Would you--can you--excuse me--

               He takes her face in his hands and kisses her.
 

 

 

 

MRS DASHWOOD
                         Mr Willoughby! What a pleasure to
                         see you again!

                                     WILLOUGHBY
                         The pleasure is all mine, I can
                         asstire you. I trust Miss Marianne
                         has not caught cold?

                                     MARIANNE
                         You have found out my name!

                                     WILLOUGHBY
                         Of course. The neighbourhood is
                         crawling with my spies.

               He suddenly produces a bunch of wild flowers from behind his
               back and offers them to MARIANNE with a courtly, humorous
               bow.

                                     WILLOUGHBY
                         And since you cannot venture out to
                         nature, nature must be brought to
                         you!

                                     MARIANNE
                         How beautiful. These are not from
                         the hothouse.

               WILLOUGHBY sees BRANDON's flowers.

                                     WILLOUGHBY
                         Ah! I see mine is not the first
                         offering, nor the most elegant. I am
                         afraid I obtained these from an
                         obliging field.

                                     MARIANNE
                         But I have always preferred wild
                         flowers!

                                     WILLOUGHBY
                         I suspected as much.
 

 

 

 

WILLOUGHBY
                         Good morning, Miss Dashwood; good
                         morning, Colonel.

                                     MARIANNE
                         The Colonel has invited us to
                         Delaford, Willoughby!

                                     WILLOUGHBY
                         Excellent. I understand you have a
                         particularly fine pianoforte, Colonel.

               The undercurrents of this conversation are decidedly tense.

                                     COLONEL BRANDON
                         A Broadwood Grand.

                                     MARIANNE
                         A Broadwood Grand! Then I shall really
                         be able to play for you!

                                     WILLOUGHBY
                         We shall look forward to it!

               MARIANNE smiles her perfect happiness at him and he whips up
               the horses. They drive off, waving their farewells.

               BRANDON looks after them for a silent moment, and then
               collects himself and turns to ELINOR, who is less than
               satisfied with their behaviour.

                                     COLONEL BRANDON
                         Your sister seems very happy.

                                     ELINOR
                         Yes. Marianne does not approve of
                         hiding her emotions. In fact, her
                         romantic prejudices have the
                         unfortunate tendency to set propriety
                         at naught.

                                     COLONEL BRANDON
                         She is wholly unspoilt.

                                     ELINOR
                         Rather too unspoilt, in my view. The
                         sooner she becomes acquainted with
                         the ways of the world, the better.


COLONEL BRANDON looks at her sharply and then speaks very
               deliberately, as though controlling some powerful emotion.

                                     COLONEL BRANDON
                         I knew a lady like your sister--the
                         same impulsive sweetness of temper--
                         who was forced into, as you put it,
                         a better acquaintance with the world.
                         The result was only ruination and
                         despair.

               He stops, and briskly remounts his horse.

                                     COLONEL BRANDON
                         Do not desire it, Miss Dashwood.
 

 

 

MARIANNE
                         There I fell, and there I first saw
                         Willoughby.

                                     ELINOR
                         Poor Willoughby. He will always regret
                         you.

                                     MARIANNE
                         But does it follow that, had he chosen
                         me, he would have been content?

               ELINOR looks at MARIANNE, surprised.

                                     MARIANNE
                         He would have had a wife he loved
                         but no money--and might soon have
                         learned to rank the demands of his
                         pocket-book far above the demands of
                         his heart.
 

 

 

 

 

 ELINOR
                         Yes! He left us that morning, without
                         any explanation!

                                     COLONEL BRANDON
                         Lady Allen had annulled his legacy.
                         He was left with next to nothing,
                         and in danger of losing all that
                         remained to his debtors--

                                     ELINOR
                         --and so abandoned Marianne for Miss
                         Grey and her fifty thousand pounds.

               BRANDON is silent. ELINOR is breathless.


COLONEL BRANDON
                         I would not have burdened you, Miss
                         Dashwood, had I not from my heart
                         believed it might, in time, lessen
                         your sister's regrets.

               BRANDON moves to the door and then stops. He turns to her
               and speaks with effort.

                                     COLONEL BRANDON
                         I have described Mr Willoughby as
                         the worst of libertines--but I have
                         since learned from Lady Allen that
                         he did mean to propose that day.
                         Therefore I cannot deny that his
                         intentions towards Marianne were
                         honourable, and I feel certain he
                         would have married her, had it not
                         been for--for the money.
 

 

sinto-me: Romantische? Nah! =P

publicado por Strelitzia5 às 14:36
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