Domingo, 15 de Junho de 2008

Sexto Sentido

 

Deitados neste divã do subconsciente

no meu sono relaxado eu te sinto

o teu dorso pegado ao meu corpo

o teu braço a prender-me o jeito

num abraço protector

teu rosto felpudo e comichoso da barba

roça ao de leve o meu cabelo ondulado

oiço-te respirar

o sopro do ar chega até mim

sinto-te aqui tão perto.

 

pegas um livro

eu bebo o meu café

este de especiarias exóticas, étnicas, indianas, orientais..

folheias poemas de amor. recitas o teu preferido.

o cheiro do papel quando a página vira.

o sabor doce, mas o travo final amargo

que me resta na saliva.

as leituras e os paladares nos envolvem,

como tu me envolves,

como eu também já te envolverei não tarda.

 

Poiso a chávena. Poisas o livro.

Na minha boca restam sabores que pedem por outros sabores.

Profetizas versos memorizados enquanto me olhas nos olhos e me tomas a cabeça nas tuas mãos.

Passa-se um segundo de outro mundo, de uma dimensão alheia, de uma existência aparte, de um lugar paralelo. Ou perpendicular? Quem sabe...

 

É algo de repetitivo, mas não vivido.

É algo de sabido, mas inovador.

É algo que já senti, - mas não assim.

 

Como eu gostava...

Como se fosse um primeiro.

Um primeiro Tudo.

Como se as maravilhas desabrochassem repentinas de súbito só para mim. Lufada de ar fresco revigorante. Revitalizando sentidos adormecidos, moribundos, esquecidos.

 

Toque de cetim que me afronta os lábios e um

contra-sôfrego em ricochete com o meu respirar.

Clausura. Prisão. Selamento.

Deixas a tua assinatura gravada em mim, a tinta que descansa no coração e a caligrafia que conheço na veia visível do pulso.

 

Neste beijo encerram-se passados e fundem-se vidas novas.

Um admirável mundo novo de descobertas, sabores, especiarias;

páginas, escritos e leituras.

Tu lês o caminho que nos escrevo; tu escreves o caminho que nos leio.

Navegamos por portos e alfândegas e desvendamos segredos.

 

Esta revelação tardia e esperada.

 

Abraça-me agora contra ti, envolta eu no breu da tua amorosa entrega. Nada vejo. Nada dizes - nada oiço. Já não há cheiros. Nem paladares. Só sinto. Só te sinto. A ti. O mundo fechou-se de sentidos. O mundo somos só eu e tu, agora.

 

O mundo somos nós juntos com um só sentido único.

 

Este sexto sentido só nosso.

 

O sentido de sermos um.

 

14-06-08

sinto-me: Artistic and poetic
música: Skunk Anansie - Hedonism
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publicado por Strelitzia5 às 12:23
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