Sábado, 27 de Junho de 2009

"jogos de desencontro".

 

 

 Aperto doloroso cá dentro

o meu coração contraído

um frio desolador que me paralisa

a circulação do pulsar tranquilo

a falta de um caloroso aconchego

o medo

a inquietude

a adrenalina

    das pequenas vitórias

ou a rendição

   perante a sucessão repetida

   das mesmas derrotas

o fracasso e o sucesso

sobre um tabuleiro de xadrez

numa inércia angustiante sobre

o controlo das peças

vidas, personagens...

Desencontros.

Enquanto eu te venero no silêncio

de uma torre longíqua no canto do mundo

pequena, minúscula, indefesa

numa masmorra desta cruel esperança

acorrentada neste pranto desalmado

enquanto tu, rei, procuras rainha de coroa perdida

fazes o cheque-mate à vida e mexes-te uma casa apenas,

um passo de cada vez, aterrorizado de saltos gigantes

enquanto eu e ele cruzamos todo este palco,

destemidos e temerários, mas eu rainha caminho desta vez

em diagonal,

como o bispo solitário, e desencontro-me dele...

Jogos de desencontro.

Careço em nostalgia de me sentir mais concretizada,

mais completa, menos só e desamparada...

Às vezes tudo isto magoa e o mundo é cruel.

Não perdoa, não reconhece, não valoriza.

Às vezes a sorte esquece-se da companhia prometida.

Quando o sol descansa e a luz se apaga

onde mais encontrar forças?

Haverá sustento na tua sombra?

No calor escasso que deixaste do dia que passou...

Será o suficiente? Estarei a viver ou a sobreviver?

Valerá tudo isto a pena ou será em vão?

Como posso saber... estes mistérios desesperantes...

Somos meros peões neste torneio de xadrez.

Apenas tendo permissão para caminhar em frente,

não podemos retroceder, o tempo não volta atrás e

o tempo não espera por nós.. Damos pequeníssimos passos

incertos e cautelosos, aproximando-nos inevitavelmente dos

perigos, pois parados não podemos ficar, é necessário um dia

abandonar o conforto e o calor. Temos que arriscar e dar-nos

à vida. Onde vamos parar? Uns encontram o sossego e não são

incomodados. Outros perdem-se algures no tempo para sempre.

Ou talvez se transformem. Talvez se libertem, montando selvaticamente

um cavalo enfurecido e criando um mundo paralelo à banalidade das coisas.

Será que no fim da demanda, se erguem frente a frente, rei e rainha, e esta encurrala-o? Ou será que o rei apenas consegue viver com um reflexo de si próprio?

Conseguirá olhar-se no espelho quando se vir sozinho com todos à sua volta

caídos e estendidos no chão?

Eu prefiro partilhar a dor destas vidas todas acumuladas, cavar com alguém

até às profundezas do submundo. Eu preciso de uma claridade e de um calorzinho.

Pode não ser o certo. Mas que hei-de fazer se é quem me dá um apertozinho no coração e me aquece o corpo?

sinto-me:
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publicado por Strelitzia5 às 13:55
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