Domingo, 15 de Março de 2009

"Todos os títulos"

 

Acordar e rebolar-me na cama vezes sem conta

num estado de moleza em que procuro a posição

mais confortável do momento.

Mas a luz que incomoda este repouso e invade a sonolência,

urge para que me erga deste sepulcro de sonhos.

Saio de casa, após a correria matinal habitual das tarefas mundanas e privadas, já com algo no estômago para suster o início da demanda do dia.

À espera do autocarro a que rogo pragas se demora 1 ou mais minutos que fazem a diferença crucial de apanhar ou não o comboio a horas e chegar a horas àquele meu grande destino de todos os dias.

Os dias estão tão bonitos e solarengos... a Primavera tem qualquer coisa. Sinto um calor aconchegado na pele que sussurra aromas... Ponho-me a ouvir uma musiquinha de fundo das minhas aventuras, a banda sonora das minhas histórias e memórias. Cada som evoca uma imagem, uma roupa especial, um novo perfume ou outras músicas ainda. Um qualquer momento.

Estou na estação - ah!, estou a alcançar a plataforma e vem mesmo o comboio que serve ao meu destino. Não tenho que correr atrás dele e estou pacífica no meu mundo. O comboio que passou antes é o dos passeios de Domingo por ruas velhas e lendárias, com o coração oferecido ao desabrigo.

Mas não é para onde vou agora. Um dever futuro chama a ainda precoce sabedoria que vou construindo.

Finalmente, Lisboa, aura académica.

No telemóvel constam as mensagens dos meus e dos que me são. Uns conversas de sempre sem retorno, outros apenas para se divertirem às minhas custas, e outros que se encontram em uníssono no convívio do costume das horas mortas depois do combinado.

E quando o espírito está preguiçoso, também as horas vivas de suposta sabedoria são substituídas por um café, um chá ou uma merenda.

Uma festa nocturna que me devolve o ânimo, em que celebro a maturação de um percurso, em que vivo o segundo após segundo de especulações e ambições de criança. A célebre conquista de deter o meu mundo nas minhas mãos e escolher mudar a meu bel-prazer tudo o que quiser. Viver a vida que a cada compasso me aprouver.

Rir muito com eles. Sorrir para os outros todos a que não digo um olá. Não os conheço, mas sei-os.

Eu sei todos os que aqui estão, os que me são e os que ainda me não serão, porque todos nós temos uma essência que eu captei desde o primeiríssimo poema. Mas como gosto de me surpreender e estar sempre a aprofundar o que conheço!...

Mas gosto de olhar para ti, para ele, para nós, vós e eles, e saber o que te vai no coração. Gosto de saber tudo isto e esta gente.

É por isso que sorrio agora e sempre. Porque não temo o que não (des)conheço. Sei que não vale a pena recear, adiar, sofrer... Basta um pouquito de fôlego e cara fresca para enfrentar o que se nos depara.

Cada minuciosa inutilidade singela do que absorves enquanto aqui estás e respiras, faz-te tudo o que és e serás.

Será que te consigo fazer sentir o que estou a divagar?

E no regresso, talvez um livro para me afundar noutro naufrágio ficcioso de vidas paralelas.

E já neste lar, uma conversa sobre a vida com quem me deu a vida ou com quem é metade ou mesmo o todo de mim.

Mais logo, na companhia desta lua branca de luz vaga e difusa, quem sabe, um chá com mel e um poema doce e tosco, sem grande propósito. Só para não escrever sobre o concretamente abstracto danado do amor.

Mas diz-me lá, se tudo não é amor, seja de que forma ele for?

É o ingrediente filosofal nesta divina combustão.

 

14/03/09

01h00

sinto-me:
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publicado por Strelitzia5 às 20:26
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1 comentário:
De bastarda a 22 de Março de 2009 às 03:27
outro texto magnifico =)


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