Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

mãe: "o pior cego é aquele que não QUER ver"

 

New Moon, p. 200

 

" - Gostas de mim, não gostas?

  - Sabes bem que sim.

  - Mais do que aquele tipo que está a vomitar as tripas ali dentro? - e apontou na direcção da casa-de-banho.

  - Sim - suspirei.

  - Mais do que qualquer um dos rapazes que conheces?

  - E do que das raparigas também - salientei.

  - Mas é só isso. - respondeu, não se tratando de uma pergunta.

Foi difícil responder. Será que ficaria magoado e evitar-me-ia? Como suportaria isso?

  - Sim. - sussurrei.

Ele sorriu-me.

  - Não faz mal. Desde que gostes mais de mim. E que penses que sou bem-parecido.. mais ou menos. Sinto-me preparado para ser irritantemente persistente.

  - Não vou mudar - afirmei e, tentando manter um tom normal, apercebi-me da tristeza interior.

  - Ainda é por causa do outro não é?

Retraí-me. Era curioso que ele soubesse que não deveria pronunciar o nome.. tal como tinha acontecido, no carro, em relação à música. Jacob captava muitas coisas a meu respeito, às quais nunca fizera qualquer referência.

  - Não precisas falar sobre isso. Mas não te zangues comigo por ficar perto de ti, está bem? Porque não vou desistir. Tenho tempo de sobra...

  - Não devias desperdiçá-lo comigo. - recomendei, apesar de querer que ele o fizesse. Principalmente se estivesse disposto a aceitar-me como eu era: uma espécie de mercadoria danificada.

  - É o que pretendo fazer, enquanto continuares a gostar de estar comigo.

  - Não consigo imaginar como poderia não gostar de estar contigo. - disse sinceramente.

Jacob sorriu.

  - Consigo aceitar isso.

  - Mas não esperes mais. - preveni-o, afastando a minha mão.

 

(...)

Olhava em frente consumida de culpa.

Não era certo incentivar Jacob. Tratava-se de puro egoísmo. Não iimportava que tivesse tentado esclarecer a minha posição. Se ele mantivesse uma réstia de esperança que a nossa relação se transformasse em algo mais do que amizade, era somente porque não tinha sido clara.

Como lhe poderia explicar de forma que entendesse?

No entanto, estava consciente que, apesar disso, não iria afastá-lo. Precisava muito dele e era egoísta. Talvez pudesse tornar a minha posição mais clara, de modo a que ele tivesse consciência de que devia deixar-me.

Deus sabia que nunca quisera usá-lo. Não conseguia evitar aquele sentimento de culpa.

Mais do que isso: nunca tivera intenção de o amar.

Eu acabara destroçada de uma forma irreparável.

No entanto, agora precisava de Jacob como de uma droga. Usara-o como muleta durante muito tempo e tinha aprofundado mais a nossa relação do que na realidade tencionara. Não suportava a ideia de ele sair magoado; no entanto, não conseguia evitar magoá-lo. Jacob pensava que o tempo e a paciência me fariam mudar, e embora soubesse que ele estava completamente enganado, estava certa de que o deixaria tentar.

Era o meu melhor amigo. Amá-lo-ia para sempre e isso nunca, jamais, seria o suficiente.

 

(...)

 

- Não. É outra coisa.

- O que se passa?

- Tudo. - murmurou. - Dói-me o corpo.

A dor expressa na voz era quase palpável.

- O que posso fazer, Jake? O que posso levar-te?

- Nada. Não podes vir aqui. - E foi brusco.

- Já estive exposta ao que tu tens, seja lá o que for. - salientei.

Ele ignorou-me.

- Jacob...

- Tenho de desligar.

- Telefona-me quando te sentires melhor.

- Está bem. - A sua voz tinha um estranho travo de amargura."

(E mais não preciso dizer...)


publicado por Strelitzia5 às 12:57
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2 comentários:
De Tuxita* a 17 de Janeiro de 2009 às 19:57
Sniff... "- Não devias desperdiçá-lo comigo. - recomendei, apesar de querer que ele o fizesse. Principalmente se estivesse disposto a aceitar-me como eu era: uma espécie de mercadoria danificada." :( sigh...
ai, esta passagem foi uma das mais bonitas do livro. nao admira que eu tenha lido o livro em desespero, ela escreve tao bem a dor da Bella que conseguimos transpor para a nossa vida e para os nossos moments..**


De Raquel a 26 de Janeiro de 2009 às 21:30
Ai Catarina, Catarina... A única coisa que, no meio disto tudo, tem graça é estarmos as duas na mesma posição de uma maneira tão diferente.

Sisters in arms!*


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