Sábado, 15 de Novembro de 2008

"uno mim"


há muito que não escrevo qualquer coisa
há muito que deixei de pensar
para não doer
o tempo corre e voa e transcende-me e trespassa-me
e rompe-me qualquer entranha de força que reste


já não sou eu, a mesma que eu era, aquela que eu fui


nao há tempo... para nada. para conseguir viver
há tempo a mais... para não pensar, para não viver, para deixar ir


já não sou a mesma.

algo me prende. algo me retém. e já não sou eu. já ninguém me pode culpar


há muito que não escrevo qualquer coisa
há muito que preferia não sentir, dói sentir, dói saber que sinto muito,

dói saber que de nada me serve sentir, dói saber que escondo a dor, dói

saber que ignoro a dor, dói saber que não aprendo, dói saber que não me

importo que volte a doer, que doa ainda mais, dói doer, doer assim,

porque quero, porque não quero, porque não consigo evitar, porque só me

acontece doer, e nada mais.


lembro-me de quem fui...passado distante e enterrado em mim algures

sedimentado entre camadas dos vários eus. sinto falta da inocência de não

saber e ter ainda coisas por descobrir
sinto as dores repetidamente repetidas, gastas, saturadas, iguais e

sempre as mesmas. e as novas, ou as mesmas mas inovadas, antes que me

paralisassem, me anestesiassem. novas caras, novos mundos, novos lugares,

novas pessoas, novos eus. mas eu sou a mesma...

igualmente repetida e gasta e saturada em cada dor, de cada dor. de cada sentir velho, de cada sentir novo.

e ainda falta o que aí há-de vir... muito mais cansaço,

muito mais tempo passado, que se há-de tornar poeira, e uma memória doce

e distante, que há-de doer. nada permanece. nada permance em mim, nem

comigo. tudo me foi, tudo me foge, tudo me trai e me abandona ou

cortesmente ainda me diz adeus.

nunca sou a mesma, serei sempre aquela que sobreviveu a não sei o quê, porque há-de haver sempre qualquer coisa a que sobreviver, e serei sempre aquela nova cara, renascida e

metamorfoseada numa outra entidade, um elfo a viver uma segunda Era, uma

fénix a viver novo ciclo, em chama viva e sempre ardente, sacudindo as

cinzas, encaixotando-as para um baú de recordações velhas e antigas

debaixo da cama, ou debaixo do mais profundo de mim de que já me esqueci.

 

15/11/08

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publicado por Strelitzia5 às 22:11
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1 comentário:
De Jorge Grilo a 5 de Janeiro de 2009 às 17:15
Queria te dar os parabens pelo BLOG... cheguei até ele porque a vida ha muito que me obriga a ler Pedro Paixão...


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