Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Que devaneio de Crónica...

 

Era uma vez uma rapariga que queria mandar uma mensagem, mas não sabia o que escrever. Ou melhor, teclar.
Era uma vez uma criança pequena que se apaixonou. Será?
Era uma vez uma senhora para quem o amor ficou enferrujado e cansado. E perdeu a piada.
Era uma vez uma rapariga a quem isto aconteceu, sem antes sequer ter sabido o que era isso do amor. Isso é perigoso.
Era uma vez um homem, um rapaz. Era uma vez todos os homens, um pouco tolos por quererem perceber estas mulheres de quem gostam, isto é, aqueles que ainda gostam. Dessas mulheres.
Essas mulheres de quem vale a pena gostar, e ao mesmo tempo, não.
 
A rapariga a quem aconteceu o mesmo que à senhora é a mesma que quer escrever uma mensagem. Se calhar, ainda há qualquer coisa que resta. Ainda que não seja a curiosidade de sentir algo que ainda não sentiu, mesmo que já nisso não acredite.
 
A criança pequena está a apaixonar-se. A descobrir estas coisas do amor pela primeira vez. Mas a rapariga olha contente para ela, e ainda pensa: «Não parece tão entusiasmada como eu era na idade dela». Parece que são outros tempos.
 
Ou então a criança pequena esteja já a acompanhar os tempos. Já não há nada com que se pareça às cartas de amor e às serenatas à janela. E ainda bem. Será que isso nos garantia fosse o que fosse?
 
A senhora diz agora, que não. Depois disso…
Mas esta senhora, é um pouco um caso aparte. Ela cansa-se de muitas coisas. Cansa-se muito. Tosse muito para saberem que está frágil e cansada.
 
Será preciso continuar com algumas tradições, sendo que tantas outras se romperam?
Eu acho que os clichés só empobrecem a realidade.
 
Mas no meio disto tudo.. continua o tão mal-dito do homem. Que quando gosta, lá isso gosta. E não se cansa.
E vai à cozinha buscar uma colher de xarope para dar à senhora, que a tenta levantar da cama quando ela quer hibernar todo o dia, que gosta muito da rapariga e da criança pequena.
 
A rapariga vê tudo isto, e como tem uns olhos muito observadores e ávidos, entristece-se. E começa a tornar-se a senhora, ainda que não queira. E sempre que descobre homens assim, fica desconfiada, ou com medo. Ou com medo de o vir mais tarde a magoar, deixando de gostar dele, e ele que gosta tanto dela, ou virá a gostar. Ou assim parece, agora. Agora não dá para saber. Mas as mulheres gostam de imaginar, perspectivar daqui a quilómetros e séculos. Tanto tempo e tanto espaço… que elas precisam. Nos dias de hoje, tanto tempo e tanto espaço que elas querem, só para elas. Para estarem… sozinhas.
Porquê?
Parece que os tempos mudaram.
 
Conheci três senhoras.
Uma delas, toda a vida procurou um homem. E casou. E depois deixou de ser egoísta e a sua vida deixou de ser somente uma questão sobre ela e o seu homem. Quis ter filhos com esse homem. E foi feliz, diz ela. Todos os dias. Não durante todo o dia, todos os dias. Mas em todos os dias, um pouco que fosse. Será pouco?
A segunda nunca pensou em arranjar um homem. Formou-se. Nunca pensou em filhos. Era muito púdica. Um dia casou-se com o melhor amigo e tornou-se a melhor amiga do filho que teve com esse homem. Separaram-se. E mais tarde, juntaram-se outra vez.
O que nos leva à terceira senhora. Ela sempre procurou alguém muito especial. Apaixonava-se muito, desiludia-se muito. Muito muito. Cansava-se muito, também. Mas continuava a acreditar muito. Ficou rica. Saía muito com as amigas. Divertia-se muito. Tornou-se muito alegre e muito bonita. Gostava muito de namoriscar. Muitos homens, muitos meninos. De os arrebatar. E depois, de jogar com eles. Cartar, descartar. Próxima mão, próxima rodada. E depois perdia algumas cartas do baralho de propósito, como também muitos homens a perderam, e a quiseram perder. De propósito.
Há quem diga que nisto do amor… amor com amor se paga.
Esta senhora é mais especial, mais diferente. Pelo menos assim se foi tornando.
No fim da sua jornada, um dos seus muitos homens quis amá-la, a sério, e para sempre. Ela assustou-se. Não sabia o que fazer com o amor dele. Para que servia? Sufocava-a, prendi-a. E a vida que ela quer tanto viver? Tantos sacrifícios… é uma vida tão curta…
Será que ela desperdiçou o amor que era capaz de dar às pessoas que eram o que ela agora é?
Será que ela não quer dessas amarras tão fortes, será que tem outros conceitos? Os tempos deviam ser outros..
 
Talvez ela seja egoísta. Ou descrente. Ou parou de amadurecer. Ou captou todo o sentido, e ficou mais sábia..
Talvez ela não precise disso para ser feliz.
 
Não nos detenhamos mais com esta senhora. Ela é difícil de explicar, difícil de entender. Não encaixa em rótulos. E algumas coisas não são para se falar ou tentar perceber. Ai, os mistérios..
 
E tudo isto… incluindo este texto… continua a ser um mistério…
Daqueles…
Excruciantes!...
 
Ainda bem que não as temos.
Mas como se sofre!, por não termos quaisquer respostas.
 
 
20.07.08

publicado por Strelitzia5 às 23:12
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