Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Excertos de Pedro Paixão

 

...antes de poderem dizer o que quer que fosse, se para tal encontrassem palavras. Transportam consigo o segredo da poesia.

 

O homem e a rapariga continuam sentados face a face, amando-se loucamente, sem se tocarem. Acreditam no amor, na frágil flor azul. Mesmo antes de se terem encontrado, alma diante de alma, nas redes electrónicas em que o amor atinge a estonteante velocidade da luz.

 

A poesia tornou-se insuportável. A poesia só sobrevive na loucura de duas pessoas que decidem amar-se, condenando-se à exaustão.

 

O soldado e a rapariga permanecem sentados na cama baixa olhando-se sem se tocarem. Se se tocassem o amor morreria no mesmo instante

 

Ela é uma rapariga decidida a levar até ao fim a poesia

 

Ali, fardada de igual a todas as outras, nem havia olhos que pudessem adivinhar a sua beleza. A beleza não me interessa... A beleza tende a tornar-se numa perigosa armadilha e a ilusão paga-se com desespero.

 

Para uma imagem, mesmo pouco nítida, é preciso mais: saber mais, imaginar mais, acreditar mais

 

Precipitadamente acontecem coisas que a todo momento nos alteram, modificando o mundo, matando o eu anterior para que possa ressuscitar o mesmo eu posterior, só que ligeiramente diferentes, ou então muito diferente. Como me reconhecer a mim mesmo?

 

Saudades de mim. De quem nunca fui.

 

A música não chega para salvar uma alma inquieta.

 

Pensava como a vida não era como devia, como as coisas não aconteciam como previsto, como o mundo persistia em feri-la.

Os olhos fechados, assim como o corpo fechado, eram a maneira que tinha de se proteger da violência das coisas, de reencontrar dentro de si a beleza da frágil flor azul.

 

Sentia-se apaixonado como pela primeira vez. Diante da face dela o mundo inteiro parecia-lhe supérfluo. Não conseguia deixar de a olhar, e quando não estava na sua presença de a imaginar na sua presença.

 

As palavras que trocavam eram tão físicas como todo o amor que se fizesse.

 

A mão dela cabia dentro da mão dele, como uma concha dentro de outra.

 

«Já reparaste no tempo que uma árvore leva a crescer? É um tempo muito lento, vagaroso. O nosso amor devia ser da mesma maneira.», disse ela, aproximado o seu corpo do dele. Ele manteve-se calado enquanto a imagem da árvore lhe trazia, por contraste, a ideia da fragilidade de tudo, e apertou com mais força a mão dela. Uma nuvem tapou o sol. O jardim parecia vazio e as duas almas juntaram-se numa só.

 

Nem a morte me quis, quanto mais o amor.

 

Pegava numa folha branca e começava a escrever. Era um mistério. Na folha apareciam frases que ele não sabia de onde vinham, cujo sentido reconhecia com espanto. Quando acabava estendia-se sobre a cama onde se abandonava a uma alheia satisfação. Esse estado confundia-se com sonhos e acabava por adormecer.

 

Quando só há duas pessoas no mundo ainda não existe o amor. O amor é demasiado exigente. O amor faz com que pareça que só existem duas pessoas no mundo, tu e eu e mais ninguém, o que é muito diferente.

 

Queria ficar toda a noite contigo para te contar a minha vida inteira.

 

...embora todos os homens, todos, te quisessem beijar.

 

Vais encontrar o teu terceiro homem e esquecer para sempre os dois únicos que te beijaram.

 

em Quase Gosto da Vida que Tenho

música: Várias de John Pizzarelli

publicado por Strelitzia5 às 16:01
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1 comentário:
De pedro paixao a 6 de Fevereiro de 2009 às 12:44
obrigado
pp


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