Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Recortes perdidos de devaneios escritos...

 

Estávamos a conversar

mas eu não te ouvia

embora digas sempre algo interessante

desculpa não ouvir-te

mas teu rosto falava mais alto

passava entre nós uma suave aragem

e os teus cabelos ondulavam ao sabor do vento

serpenteavam e flutuavam, empurrados

pelo ar e eu pensei, que belo.

Os teus olhos profundos e apaixonados

ávidos de vida

os teus olhos lacrimejavam dessa brisa

que te faz mais bela ainda.

 

Março 2007

 

 

Não voltará - o que dele me ficou é como no Inverno entre cortinas de chuva, um tímido fio de sol: ilumina, mas não aquece as mãos.

 

 

«Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem achei.

De tanto ser, só tenho alma.» - Fernando Pessoa

 

 

(E agora dois poemas do Pessoa que adoro):

 

Tão abstracta a ideia do teu ser

Que me vem de te olhar, que, ao entreter

os meus olhos nos teus, perco-os de vista,

E nada fica ao meu olhar, e dista

Teu corpo do meu ver tão longemente,

E a ideia do teu ser fica tão rente

Ao meu pensar olhar-te; e ao saber-me

Sabendo que tu és, que, só por ter-me

Consciente de ti, nem a mim sinto.

É assim, neste ignorar-me a ver-te, minto

A ilusão da sensação, e sonho,

Não te vendo, nem vendo, nem sabendo

Que te vejo, ou sequer que sou, risonho

do interior crepúsculo tristonho

em que me sonho o que me sinto sendo.

 

.

 

Soneto de 11-02-1912

Tudo quanto é beleza tu conténs

E quanto de amor há, que o tem nela,

No indefinido sentimento dela:

Tudo isso há em ti, tu és e manténs.

 

A vida com seu vago (..) bens

E o mundo de consciência que revela

Tudo se inclui em ti, inda que se vela

O não poder-te ter, tudo que tens.

 

Amo-te por amar-te desprezando-me

E o meu desprezo fere o meu amor

Dum sentimento tão total de dor

 

Que a dor pode ser um sentimento, dando-me

Mais sentir faz-me mais sentir no querer-te

No não poder querer poder obter-te.

 

sinto-me:
música: Patrice - Soulstorm

publicado por Strelitzia5 às 16:56
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1 comentário:
De Miguel a 5 de Agosto de 2008 às 00:09
Muito giro, como sempre =) =)

Boa sorte para a aula de condução de amanhã.

Não te esqueças amanha, atropelar velhinhas É errado, tens mesmo que travar!!!

Agora vou ter que relaxar a cabeça por ter lido um poema de Fernando Pessoa.

BJS*****


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